terça-feira, 31 de maio de 2011

Empatia



   É possível compartilhar a dor que você observa em outra pessoa, mas que você nunca experimentou em seu próprio corpo?
   Neurocientistas dos Estados Unidos utilizaram as mais sofisticadas técnicas de imageamento cerebral para tentar descobrir a essa questão. Eles estavam interessados em encontrar os fundamentos do sentimento da empatia diretamente nos circuitos do cérebro.
   E eles encontraram, demonstrando que as pessoas capazes de sentir empatia, sentimento geralmente descrito como a capacidade de se colocar no lugar do outro, sentem de fato o que percebem nas outras pessoas.
   As imagens dos cérebros dos participantes do estudo mostram padrões similares de atividade neuronal quando as pessoas sentem suas próprias emoções e quando elas observam estas emoções em outras pessoas.
   O estudo sugere que uma pessoa que nunca experimentou de fato um sentimento específico visto no outro, tem dificuldade em ter empatia por meio do mecanismo chamado "espelhamento", que usa a própria experiência anterior para avaliar o sentimento do outro.
   Em vez disso, a pessoa que sente a empatia utiliza um processo chamado "tomada de perspectiva", de natureza altamente inferencial.
   Já foi descoberto que pacientes com insensibilidade congênita à dor ( CIP - Congenital Insensitivity to Pain ) subestimam a dor das outras pessoas quando não lhes é dada informação emocional suficiente. Ou seja, estas pessoas dependem inteiramente de sua capacidade de empatia para avaliar de forma mais completa a dor das outras pessoas.
   Neste estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética funcional ( FMRI ) para comparar os padrões de ativação cerebral nos pacientes com CIP e em voluntários sem esta disfunção.
   Foi pedido aos pacientes que avaliassem o sentimento de uma pessoa em fotografias que mostravam expressões faciais de dor ou partes do corpo em situações que claramente estavam produzindo dor.
   Os participantes incapazes de sentir dor apresentaram uma menor ativação das regiões visuais do cérebro, um resultado que indica que a visão da dor dos outros desperta neles menos emoções.
   Por outro lado, nos pacientes com CIP, mas não nos pacientes de controle, a capacidade para a empatia prevê com altíssima precisão a ativação das linhas centrais das estruturas cerebrais envolvidos nos processos ligados às suposições sobre o estado emocional das outras pessoas.
   A ativação dessas estruturas centrais do cérebro, segundo os pesquisadores, é a assinatura do processo emocional-cognitivo acionado pela empatia. Como não possuem a experiência da dor arquivada em sua memória, os pacientes com CIP comprovam isso de forma inequívoca.

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